A Bahia vive uma escalada nos preços dos combustíveis que tem pressionado o bolso dos consumidores e gerado preocupação entre especialistas. Diferente de outros estados, onde os reajustes estão ligados principalmente ao cenário internacional, a situação baiana apresenta particularidades que explicam os valores elevados nas bombas.
Reajustes consecutivos em curto espaço de tempo
A Refinaria de Mataripe, administrada pela Acelen, aplicou múltiplos aumentos no mês de março. No dia 5, a gasolina subiu 11,8% para as distribuidoras. Cinco dias depois, novo reajuste de 7,5%. No dia 12, um terceiro aumento de 7,4% elevou o preço do litro para R$ 3,27 nas distribuidoras. O diesel também acumulou altas expressivas, chegando a 20% em alguns períodos.
O reflexo chegou rapidamente ao consumidor final. Em Salvador, o litro da gasolina comum já é encontrado por valores entre R$ 6,73 e R$ 7,49, dependendo da região. Em Feira de Santana, os preços giram em torno de R$ 6,73.
Modelo privado explica diferença de preços
A principal razão para os preços mais altos na Bahia está no modelo de gestão da refinaria. A Refinaria de Mataripe foi vendida pela Petrobras em 2021 e atualmente é operada pela Acelen, de capital árabe. Enquanto a estatal segura os preços para evitar repasses ao consumidor, a refinaria privada adota política de preços alinhada estritamente ao mercado internacional.
A Acelen justifica os aumentos com base em três fatores: cotação do petróleo no exterior, influenciada pelos conflitos no Oriente Médio, variação do dólar e custos logísticos como frete e transporte.
Diferença visível na divisa com outros estados
A política de preços da refinaria privada cria situações curiosas. Em cidades vizinhas de estados diferentes, a diferença no valor do combustível chega a surpreender. Entre Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco, separadas por uma ponte de 600 metros, a gasolina chega a custar cerca de R$ 1,50 a mais no lado baiano.
A diferença preocupa postos localizados em rodovias e divisas, que podem perder competitividade para estabelecimentos de estados vizinhos abastecidos por refinarias da Petrobras.
Investigação em curso
Diante da escalada de preços, a Secretaria Nacional do Consumidor acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica para investigar possíveis práticas abusivas na Bahia e em outros estados. A investigação ocorre porque os aumentos na Bahia acontecem mesmo sem reajustes equivalentes da Petrobras em suas refinarias, levantando suspeitas sobre a formação dos preços no estado. (Por TV Sebastião Laranjeiras)








