O primeiro debate entre candidatos ao governo da Bahia nas eleições de 2026, realizado no domingo (9 de agosto) nos estúdios da Band Bahia, reuniu ACM Neto (União Brasil), o atual governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT) e Ronaldo Mansur (PSOL). O encontro, dividido em três blocos com perguntas de jornalistas e confrontos diretos, foi marcado por trocas de críticas, cobranças sobre gestões passadas e atuais, e apresentação de propostas em saúde, educação, segurança pública, economia, infraestrutura e relação com o presidente Lula.
Principais temas e embates
Educação e saúde dominaram o primeiro bloco. Jerônimo questionou Mansur sobre planos para educação; o candidato do PSOL priorizou a qualificação de professores. Jerônimo criticou a oferta de creches em Salvador e defendeu o fortalecimento dos municípios. Mansur perguntou a ACM Neto sobre declarações antigas contra Lula; Neto citou apoio a Ronaldo Caiado (União Brasil) para a Presidência, relembrou alianças de 2022 e apresentou a proposta do “Provão Bahia”. No confronto final do bloco, Neto cobrou Jerônimo sobre as filas da regulação da saúde pública. O governador rebateu cobrando realizações do grupo político de Neto e destacou a entrega de 15 hospitais em sua gestão.
Segurança pública foi um dos eixos centrais, especialmente no segundo bloco (o mais tenso). Jerônimo apontou o problema como nacional, citou investimentos em armas, viaturas, delegacias, inteligência e ampliação de câmeras nas fardas, e disse não “passar a mão na cabeça de criminoso”. ACM Neto elevou o tom: acusou Jerônimo de criar uma “realidade paralela”, afirmou que “mais 4 anos do seu governo significa mais gente morrendo” e prometeu aumento salarial e melhores condições de trabalho para policiais. Mansur também defendeu valorização dos profissionais e câmeras nas fardas, criticando o histórico do grupo de Neto.
Sobre feminicídio, Neto propôs o programa “Volta por cima” (apoio financeiro, qualificação e inserção no mercado para mulheres de baixa renda). Jerônimo citou a “Ronda Maria da Penha” e a Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres. Mansur defendeu delegacias 24 horas.
Infraestrutura e obras geraram o embate mais acirrado. Neto cobrou Jerônimo sobre um buraco na BR-324 (afirmando que o governador teria dito que estava tapado, mas que só teria sido colocada uma lona) e criticou a falta de início das obras da ponte Salvador-Itaparica e a execução da Fiol. Jerônimo rebateu criticando o tratamento de Neto aos adversários, classificou-o como “anti-Lula”, mencionou ter sofrido desrespeito por ser indígena e negro, e destacou parcerias com o governo federal (metrô, VLT). Também houve discussão sobre o Planserv (Neto negou privatização, mas defendeu uso da rede privada para reduzir filas; Mansur alertou para risco de privatização).
A relação com Lula foi recorrente. Jerônimo e Mansur reforçaram apoio ao presidente. Neto, acusado de aproximação oportunista ou de ligação com Flávio Bolsonaro, respondeu que apoia Caiado e busca diálogo institucional em benefício da Bahia, evitando críticas diretas a Lula. Houve acusações cruzadas envolvendo a pandemia e o uso de inteligência artificial no plano de governo de Neto (que negou uso para redigir propostas, limitando a correções e dados públicos).
No terceiro bloco, os candidatos abordaram temas em alta nas redes e fizeram considerações finais. Mansur falou de saúde (concursos e fim da pejotização) e relembrou sua trajetória pessoal. Jerônimo enfatizou educação e o legado de diálogo do seu grupo. Neto focou em economia (educação como motor, aeroportos no interior, crítica a estradas e projetos não cumpridos) e questionou se Jerônimo merece mais quatro anos.
Avaliação e contexto
O debate foi o primeiro confronto televisionado da campanha. ACM Neto construiu uma narrativa de oposição centrada em problemas do governo atual (segurança, filas de saúde, promessas não cumpridas) e usou o tempo de forma mais ofensiva e propositiva, segundo avaliações de comentaristas. Jerônimo defendeu o legado petista de quase 20 anos, as entregas de sua gestão e a parceria com Lula, mas foi visto por alguns como mais evasivo em momentos-chave. Mansur atuou como crítica à esquerda, frequentemente alinhado a ataques ao grupo de Neto.
Pesquisas recentes (como Paraná Pesquisas de início de agosto) apontavam ACM Neto na liderança no primeiro turno, com Jerônimo em segundo. O encontro deixou claras as diferenças entre o governo petista e a oposição centrada no ex-prefeito de Salvador, com novos debates esperados ao longo da campanha.








