No domingo (23 de agosto de 2026), a Band realizou o primeiro debate entre candidatos à Presidência da República das eleições de 2026, a partir das 20h, nos estúdios da emissora em São Paulo. Seguindo a tradição de quase 40 anos, o evento abriu a temporada de confrontos na TV aberta, com transmissão multiplataforma (Band, BandNews TV, rádios do grupo, YouTube e parceiros como TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan).
Quem participou e quem faltou
Foram convidados seis candidatos: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Apenas três compareceram: Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury.
Lula, Flávio Bolsonaro e Zema deixaram os púlpitos vazios — uma regra da emissora para tornar visível a ausência. Zema justificou a desistência pela falta de Lula e outros concorrentes (a data havia sido alterada na expectativa de maior pluralidade). As campanhas de Lula e Flávio não confirmaram presença de forma formal prévia. Augusto Cury chegou a ameaçar sair em protesto na portaria (“Isso não é debate. É teatro”), mas recuou e participou.
A imagem dos três púlpitos vazios marcou o cenário e dominou a pauta inicial. Os presentes criticaram duramente os ausentes, chamando-os de “fujões”, “covardes” e acusando-os de desrespeitar a democracia e o eleitor.
Principais temas e propostas
O debate, mediado por Adriana Araújo e Eduardo Oinegue, teve três blocos com perguntas dos âncoras, jornalistas e confrontos diretos (candidatos podiam circular pelo estúdio e gerenciar o tempo).
Segurança pública foi o tema de maior tensão:
• Caiado apresentou a experiência de Goiás (uso de IA, botões de pânico, tornozeleiras) e propôs confisco de bens de agressores domésticos, com transferência para as vítimas, e penas de 20 a 40 anos (cumprimento de 90% em regime fechado).
• Renan Santos falou em “banho de sangue” contra facções, estado de defesa, operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), superpresídios e integração entre União e estados. Também exibiu fraldas com os nomes de Lula e Flávio ao chegar.
• Cury destacou a violência contra a mulher (uma assassinada a cada 5-6 horas) e defendeu organização estatal e criação de um Ministério da Segurança.
Economia e microcrédito:
• Caiado defendeu corte de gastos, choque de credibilidade para juros em torno de 6% e inflação de 3-4%, criticando a “expulsão” de empresários para o Paraguai.
• Cury propôs manutenção temporária do Bolsa Família para quem conseguir emprego ou abrir MEI, divisão do BNDES (grandes x pequenos negócios) e “Escolas/Agências do Empreendedor” em comunidades.
Educação:
• Cury criticou o sistema (95% dos alunos concluindo o ensino médio sem domínio básico de matemática) e defendeu foco socioemocional e acolhimento a neurodivergentes.
• Renan apresentou a “Lei de Responsabilidade Gerencial”: prefeitos que não cumprissem metas de alfabetização não poderiam gastar em shows e poderiam ficar inelegíveis.
• Caiado citou resultados de Goiás (sete das dez melhores escolas de ensino médio do país via parcerias e currículo unificado).
Houve também discussões sobre polarização (“polarização burra”), escala 6×1 (Cury favorável ao fim; Renan mais cauteloso), corrupção (Cury queria classificá-la como hedionda) e ataques pessoais fortes de Renan a Lula e Flávio (chamando-os de criminosos e canalhas, citando mensalão, petrolão, rachadinhas e o caso Vorcaro/Dark Horse). Caiado também atacou os “Dark Horse” e “Dark Lobby”.
Repercussão e avaliação
O encontro foi amplamente descrito como esvaziado e um dos mais fracos desde 1989. Críticos apontaram que os participantes focaram mais em atacar os ausentes do que em apresentar propostas consistentes. Colunistas do O Globo deram notas baixas (Caiado liderou com média 2 em escala de 1 a 5; Cury 1,9; Renan 1,6). Um momento viral foi o vice de Caiado, Gilberto Kassab, cochilando durante a fala do candidato.
Renan dominou o tom combativo e chamou atenção nas redes; Caiado tentou se posicionar como o mais experiente; Cury apostou em discurso de autoajuda e educação.
Próximos debates
• 14 de setembro: pool CNN Brasil, SBT e VEJA
• 27 de setembro: Record
• 1º de outubro: Globo (antes do 1º turno em 4 de outubro)
O debate da Band serviu como termômetro inicial da campanha: reforçou a polarização entre os favoritos ausentes e deu visibilidade aos candidatos de terceira via, mesmo com o esvaziamento do palco.








