segunda-feira, junho 22, 2026
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Conflito no Oriente Médio eleva preço do petróleo e já ameaça economia global com inflação e frete mais caro

A escalada do conflito envolvendo o Irã, após ataques de Estados Unidos e Israel a alvos iranianos, já começa a provocar reflexos na economia global. Além da alta imediata no preço da gasolina, especialistas alertam para um efeito dominó que deve impactar o transporte de mercadorias e, consequentemente, o valor de produtos básicos em todo o mundo.

O preço internacional do petróleo e do gás natural disparou nos últimos dias, pressionando diretamente o custo logístico. Com combustível mais caro, empresas que dependem de caminhões, aviões, trens e navios para movimentar cargas enfrentam despesas maiores, que tendem a ser repassadas ao consumidor final.

O economista Brian Bethune, professor do Boston College, alerta para os riscos de um cenário prolongado de preços elevados. “Se observarmos a persistência desses preços mais altos por um período de tempo, veremos um choque de custos contínuo”, afirmou.

Liberação histórica de reservas tenta conter alta

Diante da pressão sobre o mercado de energia, os países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) anunciaram a liberação de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas — a maior liberação emergencial da história. A medida busca ampliar a oferta e conter a escalada dos preços.

Apesar do esforço, a AIE alertou que o mundo enfrenta atualmente a maior interrupção no fornecimento de petróleo já registrada, com uma queda projetada de 8 milhões de barris por dia na oferta global.

Frete mais caro e impacto nos supermercados

O aumento do diesel já começa a pressionar o custo do frete. Nos Estados Unidos, por exemplo, o preço do galão do diesel chegou a US$ 4,86 — quase US$ 1 a mais em apenas uma semana. Empresas de logística como a FedEx aplicam sobretaxas automáticas quando o combustível ultrapassa determinados patamares, o que deve elevar as tarifas de transporte nos próximos dias.

Para o consumidor, os efeitos devem ser sentidos primeiramente no supermercado. De acordo com Deborah Weinswig, CEO da Coresight Research, produtos perecíveis — como frutas, verduras, carnes e laticínios — tendem a sofrer reajustes mais rápidos por não poderem ser estocados por longos períodos. Já itens não perecíveis podem demorar mais para terem os preços reajustados, dependendo dos estoques disponíveis.

Estratégias das empresas e risco de demissões

Para lidar com o aumento dos custos, muitas empresas devem repetir estratégias adotadas durante a Guerra da Rússia e Ucrânia, em 2022. Na ocasião, marcas reduziram o tamanho das embalagens mantendo o mesmo preço — prática conhecida como “redução de tamanho” —, o que representa um aumento indireto para o consumidor.

Especialistas alertam que, se os custos continuarem subindo e o consumo cair, algumas empresas podem recorrer a medidas mais duras, como cortes de despesas e até demissões, para manter o equilíbrio financeiro.

A expectativa agora é pela duração do conflito e pelos desdobramentos das sanções e negociações internacionais, que vão determinar se o choque será pontual ou se transformará em uma nova crise prolongada no mercado global de energia.

https://picasion.com/
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