O Tribunal do Júri da comarca de Dias D’Ávila condenou, na noite desta quarta-feira (25), os três acusados pelo assassinato da cantora gospel Sara Freitas. O julgamento ocorreu ao longo de dois dias no Fórum Desembargador Gerson Pereira dos Santos, e terminou com a aceitação integral das teses apresentadas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA). As penas somadas ultrapassam 95 anos de reclusão, todas em regime fechado.
A sentença foi proferida pelo juiz Bernardo Mario Dantas por volta das 22h, após o conselho de sentença — composto por sete jurados — responder a 42 quesitos relacionados ao caso. Os réus foram condenados por feminicídio qualificado por motivo torpe, ocultação de cadáver e associação criminosa.
As condenações foram estabelecidas da seguinte forma:
- Ederlan Santos Mariano: 34 anos e 5 meses de prisão. Segundo a acusação, ele foi o mentor intelectual e mandante do crime contra a própria esposa;
- Victor Gabriel Oliveira Neves: 33 anos e 2 meses de prisão. De acordo com o processo, ele imobilizou a vítima para a execução do assassinato;
- Weslen Pablo Correia de Jesus, conhecido como Bispo Zadoque: 28 anos e 6 meses de prisão. Ele confessou ter desferido os golpes de faca que mataram a cantora.
Julgamento
A sessão teve início na manhã de terça-feira (24) e foi marcada por versões divergentes entre os acusados. Durante interrogatório, Ederlan Mariano negou participação no crime. Já Weslen Pablo confessou a autoria e reafirmou que o ex-marido da vítima teria sido o mandante. Em depoimento, a mãe da cantora, Dolores Freitas, relatou um histórico de ameaças e um relacionamento conturbado vivido pela filha.
Com a decisão desta quarta-feira, todos os envolvidos no assassinato de Sara Freitas foram condenados. Em abril de 2025, o motorista Gideão Duarte de Lima já havia sido sentenciado a 20 anos e 4 meses de prisão por levar a vítima até o local do crime.
O crime
Sara Freitas foi assassinada em outubro de 2023 com 22 golpes de faca, após ser atraída para um falso evento religioso. O corpo da cantora foi encontrado carbonizado às margens da rodovia BA-093.
O advogado da família, Rogério Matos, classificou o resultado do julgamento como uma das maiores condenações por feminicídio já registradas no país.








