domingo, outubro 25, 2026
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Debate na Globo: Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações no último confronto antes do 2º turno

Na noite de sexta-feira (23 de outubro de 2026), a TV Globo promoveu o último debate do segundo turno das eleições presidenciais entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O encontro, mediado pelo jornalista César Tralli, ocorreu nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, logo após o Jornal Nacional, e foi transmitido ao vivo pela TV Globo, GloboNews, g1 e Globoplay. 

O segundo turno está marcado para o domingo (25). No primeiro turno, Flávio Bolsonaro liderou com cerca de 47% dos votos, à frente de Lula (cerca de 45%).

Formato e dinâmica

O debate teve quatro blocos de perguntas e respostas, mais considerações finais. Três blocos abordaram temas regionais e nacionais (infraestrutura, exportações, salário mínimo, saneamento, agronegócio, aposentadorias etc.), e o quarto foi de tema livre. A ordem das perguntas foi definida por sorteios ao vivo. Houve restrições de movimentação no cenário para evitar que um candidato ficasse atrás do outro durante as falas (regra apelidada de “antideboche” após o debate da Band). Mais de 30 jornalistas do Grupo Globo fizeram checagem de fatos em tempo real, publicada no g1 e veículos parceiros. 

Principais momentos e temas

O debate começou com foco em propostas, mas terminou com troca de acusações pessoais.

•  Infraestrutura, exportações e obras: Flávio criticou o número de obras paralisadas no governo Lula (citando relatório do TCU). Lula rebateu dizendo que herdou milhares de obras paradas e listou investimentos (PAC, BR-319, Transnordestina, FIOL, FICO). Flávio prometeu “rasgar o Brasil de ferrovias”. 

•  Salário mínimo, endividamento e custo de vida: Lula destacou a política de valorização real do mínimo (hoje em R$ 1.621) e disse que, sem ela, o valor seria próximo de R$ 900. Flávio acusou o governo de endividar a população e usou a frase de efeito: “Antes se parcelava a geladeira, agora se parcela o que está na geladeira”. Criticou a promessa de “picanha” de 2022 e os programas Desenrola. Ambos se comprometeram a reajustar o mínimo acima da inflação. 

•  Segurança pública e caso Ana Clara: Lula mencionou a presença na plateia da mãe da menina Ana Clara (morta a tiros de fuzil por um policial que teve Flávio como advogado) e chamou o adversário de “miliciano”. Flávio expressou solidariedade, mas questionou a autoria dos disparos.

•  Ataques pessoais: Flávio ironizou os “nove dedos” de Lula (referência ao acidente de trabalho que o presidente sofreu na juventude). Lula exigiu e obteve um pedido de desculpas: “Se eu te ofendi, eu te peço desculpa de verdade”. Lula também cobrou o voto de Flávio, quando deputado estadual, contra ampliação da licença-maternidade (Flávio disse que era jovem e se arrependeu). No bloco livre, surgiram acusações envolvendo o caso Master (Daniel Vorcaro), Lulinha, a ilha de Richarlison e relações com advogados. 

Flávio se mostrou mais objetivo e dominou melhor o tempo, apresentando propostas de corte de gastos (“tesouraço” na corrupção), ferrovias e reequipamento das Forças Armadas. Lula defendeu o legado de seu governo (infraestrutura, salário mínimo, mercados abertos) e pediu várias vezes que o público “procurasse no Google”. Nas considerações finais, Flávio pediu que as pessoas rezassem um Pai Nosso em casa.

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