O partido Missão confirmou neste sábado (1º de agosto de 2026) a candidatura de Renan Santos à Presidência da República em um congresso realizado na Zona Leste de São Paulo. O empresário e um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL) usou o discurso para atacar tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto a família Bolsonaro, rejeitando a ideia de se definir apenas como “antipetista”.
“Nós não somos a negação do PT, nós não somos antipetistas; nós não somos como outros ratos que se vestem de verde e amarelo, se apropriando dos símbolos nacionais só para dizerem: ‘vejam só, eu sou o oposto do Lula’. Quando você se define pelo seu inimigo, você nunca o supera. E é por isso que ambos têm que ir para a lata de lixo da história, juntos”, afirmou Santos.
Metas de governo e estratégia digital
Durante o evento, o candidato listou cinco metas principais para um eventual mandato:
- Reduzir o número de homicídios a menos de 10 mil por ano
- Manter os juros abaixo de 6% e garantir superávit nominal
- Fazer com que, ao final do governo, nenhum estado tenha mais beneficiários do Bolsa Família do que trabalhadores formais
- Diminuir em 6 mil o número de favelas e retirar 8 milhões de pessoas dessas comunidades
- Assegurar que 9 em cada 10 crianças estejam alfabetizadas
Sem direito a tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão (por não ter ultrapassado a cláusula de barreira) e com apenas R$ 3,3 milhões do fundo eleitoral (cerca de 0,07% do total), a campanha de Santos deve se concentrar no engajamento digital. A equipe aposta em debates, viagens a cidades menores e exploração criativa dessa agenda nas redes sociais. O candidato também descartou alianças com outras legendas, mas prometeu montar “palanques” em todos os estados por meio de candidatos do próprio Missão a governador, senador ou deputado.
A formalização jurídica da candidatura já havia ocorrido em convenção virtual no dia 20 de julho, antecipada para garantir escolta da Polícia Federal. Santos alegou ter recebido ameaças de facções criminosas em locais onde planejava agendas públicas.
Livro Amarelo, candidatos estaduais e perfil do postulante
O congresso serviu ainda para apresentar uma versão atualizada do “Livro Amarelo”, documento com análises e propostas do partido, e anunciar a criação do Instituto Livro Amarelo, um centro de estudos. Também foram lançados nomes para disputar nove governos estaduais: Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Ceará, Pernambuco e Maranhão.
No programa de governo, destaca-se a proposta de uma “PEC da Transição” que preveria um ajuste fiscal de R$ 1,1 trilhão até 2031, com cortes de despesas como desindexação de benefícios e desvinculação de pisos.
Nascido em 1984 em São Paulo, Renan Santos iniciou o curso de Direito na USP, mas abandonou a graduação para trabalhar no grupo empresarial da família. Foi um dos fundadores do MBL, movimento que teve papel relevante nas manifestações que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff. Embora tenha apoiado Jair Bolsonaro em 2018, distanciou-se do ex-presidente por divergências econômicas e de combate à corrupção. O Missão, legenda criada a partir do MBL e homologada pelo TSE em novembro de 2025, disputa eleições pela primeira vez.
A estratégia de campanha, centrada nas redes e em agendas presenciais em municípios menores, busca compensar a falta de estrutura tradicional e ampliar o reconhecimento do nome de Santos entre os eleitores.








